sexta-feira, 11 de abril de 2014

Do pensamento ao papel




Escrever sobre as experiências vividas nas aulas de exterior de Oficina de Dança II foi um desafio, pois nem sempre é fácil passar do pensamento para o papel, no entanto ajudou-me também a refletir sobre os exercícios, os objetivos, os aspetos conseguidos e as dificuldades.



"Dançar é viver a vida ao compasso do coração!"



Tédio e a Dança - Taedium Vitaev

"Quais podem ser as relações entre o tédio e a dança? A ideia mais óbvia é aquela mesma que o próprio Sócrates de Valéry sugere, a saber, que a dança pode ser um remédio para o tédio.” (…) Existem possibilidades menos óbvias de relacionar o tédio à dança, afinal a dança não funciona apenas como remédio para o tédio, às vezes a dança pode causar ela mesmo tédio, Para um fanático por futebol, por exemplo, a ideia de assistir a um espetáculo de ballet pode soar como uma tortura. (…) A dança contemporânea pode inclusive explorar o tédio intencionalmente, através da lentidão dos movimentos ou da sua aparente suspensão.”

Existe uma expressão e inglês, que se chama "dance of boredom" e refere-se ao complexo de gestos que costumamos fazer, quando nos sentimos" desmotivados e fatigados: (...) "olhar trezentas vezes para o relógio, contar as árvores na rua, sentar-se numa pedra, suspirar profundamente, desenhar figuras no chão. Esse tipo de dança que todos conhecemos é o tédio, que nos acomete nos mas variados momentos da vida quotidiana."





quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dia 30 de Março - " Uma viagem para viajar"





Hoje fomos até à estação de metro do aeroporto...um lugar que representa movimento, viagens, quotidiano e rotinas. O público involuntário ali presente, nem sempre é um público fácil, uma vez que as pessoas vivem uma vida stressante e constantemente em corrida contra o relógio, o problema é que o relógio geralmente parece correr mais rápido.
A proposta desta aula consistia em aplicar todos os conhecimentos que adquirimos nas aulas de oficina, desde a improvisação à interação com os elementos presentes, nomeadamente o público. Existiram diversos momentos: imitação das caricaturas que estavam pintadas nas paredes, exploração dos sons dos passos, escadas rolantes, rodas das malas; imaginação de uma parede de vidro que me separava do público e que não permitia que me aproximasse do mesmo. A certo momento fechei os olhos e percebi que seria um desafio interessante, então propus aos meus colegas uma atividade, em que todos tinhamos de fechar os olhos e interagirmos entre nós. 
Pessoalmente, achei uma experiência muito engraçada pois não tinha noção do espaço, nem de quem me rodeava, simplesmente por vezes encontrava um corpo a vaguear pelo espaço e interagia com ele. Umas das pessoas com quem realizei exercícios de troca de pesos e equilíbrio foi com a Raquel, que no momento do exercício não sabia que era ela; penso que tenha resultado bem a nossa química e espírito de colaboração, pois visto que estavamos de olhos fechados tínhamos mais cuidado quando nos movimentavamos, porque além do nosso receio com o ambiente, existia também o medo de magoar o colega.
O ambiente estava recheado de movimentos, passos, gestos, ruídos...estímulos qe me inspiraram e despoletaram o movimento.
Hoje foi a última aula no exterior. Todas estas saídas foram diferentes e tiveram momentos curiosos e interessantes. Despertámos os nossos sentidos para outras realidades, para interações com os outros e fusão com eles mesmos. 



Palavras-chave:quotidiano, público, relógio, improvisaçãointeraçãocorpoequilíbrio 


Dia 28 de Março - "Improvisação...as pegadas da criação"



Hoje foi o último dia de contato improvisação, com a professora convidada, Teresa Simas. Iniciámos a aula com os nossos objetos que escolhemos como estímulos na aula passada. Cada um teve de explorar os seus objetos e improvisar a partir das sensações despertadas. O objeto que escolhi foi um lenço e embora não me remeta para nenhum momento da minha vida, transmite-me leveza, beleza, conforto, amor-próprio e confiança…tudo isto, num simples lenço.
Senti-me confortável quando apresentei os meus movimentos, pois deixei-me levar pelo objeto e sensações por ele despoletadas. Foi muito interessante ver as diferentes escolhas dos meus colegas e o modo como exploraram os seus objetos; e uma vez que alguns já conheço muito bem, consegui ver retratada um pouco das suas personalidades.
A atividade seguinte foi um resumo do nosso percurso com a professora, ou seja, tínhamos de fazer uma entrada no “palco” e posicionarmo-nos de modo a preencher o espaço. O segundo passo consistia em nos movimentarmos pelo espaço, mas de modo a que não se movimentassem todos ao mesmo tempo. Durantes estes deslocamentos, quando nos encontrássemos com o nosso par (pares do exercício das sequências da última aula), que nesta aula, ao contrário da anterior, foi a Raquel, tínhamos de fazer em simultâneo a nossa sequência.
Foi uma experiência interessante, pois quem visse de fora, parecia tratar-se de uma coreografia planeada e de certo modo complexa, e no entanto estávamos na base do improviso e utilização de sequência criadas a partir do mesmo.
Estas aulas com a professora Teresa mostraram-nos uma perspetiva diferente daquela a que estávamos habituados, por isso embora alguns momentos se tornarem confusos, os mesmos também nos mostravam caminhos para descobrir.


Palavras-chave: improvisação, estímulos, objetos, sensações, personalidades, espaço, par, caminho.



Dia 21 de Março - " Orientação 100 orientar"





Caminhar rápido e devagar, perto e longe dos colegas, com e sem interação, mudanças de direções....este foi o começo da aula de hoje.
A temática desta aula, baseava-se no início da exploração do contato improvisação e foi lecionada por uma professora convidada, a professora Teresa Simas.
O primeiro desafio foi entrar em “palco” e ocupar o espaço. Incialmente o grupo não conseguia alcançar o objetivo; tentamos eleger posições e colocarmo-nos de braços abertos, pernas afastadas...mas ocupar o espaço era outra dimensão...e juntos encontrámo-la. Este, foi o ponto de partida para o desenvolvimento da aula, e em seguida tivemos algumas orientações para encontrarmos o nosso caminho: eleger diferentes direções; movimentar pelo espaço, mas progredir e nunca todos ao mesmo tempo; fazer movimentos precisos e cortantes em deslocação até ao centro, onde juntos atingiriam uma certa tensão que iria levar a um pausa geral. O recomeço tinha de ser lento e com o objetivo de criar imagens e esculturas, com linhas retas e precisas, mas sempre com contato com os colegas. Foi uma experiência diferente e que levou algum tempo a ser interiorizada no seu todo.
Para o segundo desafio tivemos de criar cinco movimentos: A, B, C, D, E que tivemos que realizar em sequência, alterando a ordem, invertendo o sentido (do fim para o princípio),
Na proposta seguinte tinhamos de fazer par com um colega e juntar as duas sequências, tendo posteriormente de alterar as direções e dinâmica.
O meu par foi a Maria e penso que conseguimos fazer um bom trabalho, pois a junção das nossas frases de movimento ficou muito interessante.
Foi uma aula de procura, exploração e improvisação, através de pequenas orientações, que embora simples nos faziam agir num determinado rumo.


 Palavras chave: interação, contato improvisação, espaço, orientações, direções,linhas retas, criar, dinâmica


Dia 18 de Março - " Contato"




Hoje fomos ter uma aula no estúdio C, onde o chão está repleto de colchões e existem janelas amplas que permitem a entrada de sol.
O primeiro desafio baseava-se em percorrer a sala imaginando a existência de obstáculos que teríamos de ultrapassar: saltei, rebolei, rastejei...
Em seguida, em pares, desenvolvemos exercícios de contato, em que um fazia de base e o outro sería o “volante” tendo de explorar o corpo do base.
A tarefa passou por diversas fases: o base começou deitado, pôs-se de joelhos, em seguida de joelhos e mãos como apoio, e finalmente de pé.
Foi um trabalho de exploração corporal muito divertido e por vezes difícil, pois tinhamos a preocupação para não magoar o colega e ao mesmo tempo a agilidade de manter o equilíbrio.
Para terminar a exploração, realizámos os movimentos em frente à câmara do PC, que se encontrava ligado ao projetor e reproduzia efeitos variados, através de um programa.
Alguns pares apareciam de cabeça para baixo; outros de lado; noutros casos a imagem apenas surgia quando havia movimento, efeito este que me chamou bastante a atenção e confesso que me levou o pensamento para o mundo da criatividade e criação, surgindo-me ideias sobre possíveis e interessantes trabalhos com esses recursos.



Palavras-chave: parescontatoexploração corporalequilíbrio, câmara,projetor, efeitos, recursos

Dia 17 de Março - "A Maresia do Movimento"




Estação, comboios, cancela, pássaros, paredes, pontes, areia, conchas, mar, ondas, pedras variadas, sol acolhedor, vento que transmite leveza, sons que provocam movimento...este foi o nosso palco da aula de hoje.
Iniciamos a nossa exploração na parede em frente à estação, uma parede bastante rugosa; caraterística que inspirou o meu movimento. A minha deslocação era feita de certo modo a evitar o contato com a parede, ou pelo menos a manter o menos possível, pois não e transmitia uma sensação de conforto, devido à sua textura. Durante esta fase da aula passaram vários comboios, e por esse motivo tocava a cancela, que para mim serviu como estímulo sonoro que me despoletou movimentos repetitivos.
Numa segunda fase fomos explorar a ponte perto da estação. Inicialmente senti um pouco de instabilidade devido à altura, componente esta que foi notória no movimento. No entanto, ao longo do exercício, cada vez se tornou mais fácil mover-me naquele espaço e interagir com as poucas pessoas que por alí passavam. A interação tinha de ser bem controlada, pois uma vez que área disponível era pequena não podiamos provocar constragimentos ao público “involuntário” que passava. Neste local trabalhei essencialmente a noção espacial, deslocar-me numa zona restrita e arrisquei também nos equilíbrios e tranferência de pesos com os meus colegas. Terceira paragem, praia da Cruz Quebrada. Areia, mar, vento, pássaros, ondas, conchas....elementos que nos trazem saudades e nostalgia do período que tanto gostamos, o verão. Nesta paisagem aliciante comecei por interagir com a Diandra na areia, através de estimulos sonoros, pois enquanto uma emitia ruídos com a voz, a outra reagia aos mesmos através do movimento. Em seguida fui até ao mar molhar os pés e sentir a água fresca, foi então que decidi criar uma atividade e realizá-la com as minhas colegas, Diandra, Vanessa e Sasha. A atividade consitia em nos posicionarmos em linha de frente para o mar, apanhar uma pedra cada uma, e ao meu sinal, todas lançavamos as pedras ao mar; quando a nossa pedra caísse na água, cada uma tinha de reagir movimentando-se e emitindo gritos ou barulhos de modo a libertar todo o tipo de energia e possuir a liberdade total do corpo. Repetimos o exercícios três vezes, e confesso que no final me senti bastante aliviada e penso que as minhas colegas também.
Terminei a aula de novo com a Diandra, sentadas num tronco de madeira a sentir o vento e a movermo-nos consoante o mesmo nos “tocava”.



Palavras-chave: Estação, exploração, rugosa, textura, movimentos repetitivos, instabilidade, pedra, energia, liberdade, vento